domingo, 14 de fevereiro de 2010

Crítica Musical - Living Colour no Circo Voador

O Living Colour demonstrou, em um show intenso, que a carreira da banda vai bem além dos hits, como “Cult of Personality” e “Glamour Boys”, que não ficaram de fora. O Circo Voador, na Lapa, ficou agitado e, em algumas situações, como na música “Open Letter To A Land Lord”, teve seu público emocionado, em meio a um repertório entre versões diversas e interessantes para alguns clássicos e canções que, apesar de não terem alcançado o título de hit, têm qualidade inegável.

Desde o início do show, o público foi bem receptivo, demonstrando um sincero interesse em ouvir a banda, que se caracteriza sempre por misturar diversos ritmos em suas músicas, como o Hard Rock, ritmos caribenhos (como o que marca a música já citada “Glamour Boys”), Pop, ritmos à “Black music”, entre outros.

A banda demonstrou, ao decorrer do show, toda a empolgação de tocar no Brasil e o envolvimento entre banda e público foi marcado por um show receptivo por ambas as partes.

De músicas mais pesadas, como em “Time’s Up”, “Go Away” e a famosa “Type”, a músicas mais tranqüilas e viajantes, como na já citada “Open Letter to A Land Lord”, o repertório abrangeu várias fases da banda. A maior parte das canções recebeu uma roupagem ainda mais pesada, porém altamente bem vinda, do que nas versões originais, graças principalmente à densidade das bases do guitarrista Vernon Reid.

Os solos de cada instrumentista foram, também, um show à parte e serviram para dar um gás para as músicas seguintes no show.

O Bis, tão bem executado como o restante do show, também empolgou em cheio aos fãs, quando foi tocada a balada “Love Rears It’s Ugly Head”, um cover para “Crosstown Traffic” (Jimi Hendrix) e, em seguida, também um cover para “Sunshine Of Your Love”, do Cream.

Um show nada óbvio e muito empolgante, eclético e muito bem executado pelos excelentes músicos que formam o Living Colour, entre eles o renomado guitarrista Vernon Reid e o vocalista inconfundível Corey Glover, que demonstrou ótima forma em todas as músicas, provando sua alta competência vocal depois de tantos anos de carreira.

Colaboração de Rafel Saraiva

sábado, 9 de janeiro de 2010

CineCrítica - Avatar

Pandora, o mundo alienígena que James Cameron (diretor, roteirista e produtor) imaginou, é demais. O ecossistema tem um nível de detalhes surpreendente, como se desenvolvidos por geneticistas. A civilização Na´Vi é um amálgama das grandes civilizações indígenas. Os conceitos de energia e religião do filmeme são bem interessantes principalmente, graças às conexões físicas entre as criaturas Na'Vi e Pandora.

A história é conhecida, quase notória, e os personagens simples. Resumindo: o filme trata da ganância do homem sobre Pandora. O roteiro é pré-digerido e sem surpresas. A cada diálogo clichê há milhares de detalhes gráficos importantes. Worthington, o protagonista, convence tanto quanto paraplégico alquebrado como guerreiro falastrão. Enquanto isso, o Coronel Quaritch (Stephen Lang) se estabelece como um grande vilão de blockbuster (essa categoria de personagem, realmente estava fazendo falta nos filmes recentes de ação e ficção).

O volume absurdo de elementos em tela nunca se sobrepõe aos personagens e seus dramas, nem mesmo no colossal clímax. Em certos quadros vertiginosos fica difícil distinguir até o que é real e o que é criado por computador. As cenas em que humanos e Na´Vi dividem as telas desafiam qualquer percepção.

sábado, 28 de novembro de 2009

CineCrítica - 2012


Seguindo a leva de filmes com situações surreais que levam ao fim do mundo, "2012" não poderia ter outro diretor a não ser Roland Emmerich, mesmo diretor de "Independence Day" e "O Dia Depois de Amanhã".

No grosso, o filme parte de uma previsão feita pelos Maias, que diz que o apocalipse ocorrerá em 2012 através das forças do sol. Dentro desta tese se desenvolve uma explicação que já foi contestada até por cientistas americanos.

Poderia ser mais um filme com este tema, mas desta vez, Roland se superou. Apesar da tese e do roteiro apenas ser direcionado a explicação do fim do mundo o filme tem seus pontos fortes nas cenas de destruição que são as mais elaboradas, mais abragentes e bem produzidas que já vi. Ótimos efeitos.

Além de contar com o ator John Cusack, "O Júri" (2003), "Identidade" (2003), "1408" (2007), que apesar de ter poucos prêmios em sua carreira considero um dos atores que trabalham não para aparecer, mas coletivamente para fazer bons filmes. Ele é o herói do filme que tenta salvar sua família.

Porém, eu tenho uma crítica. Por que todos os filmes de desastres, sejam naturais ou humanos, necessitam ter um herói americano que sacrificaria sua vida para salvar sua família ou o mundo? Por que simplesmente não pode haver o cientista que estuda o evento e acha uma maneira de evitá-lo ou salvar as pessoas do desastre iminente? Sempre tem que haver pessoas comuns que tentam salvar sua família ou seu amor!

Esse heroísmo me enoja. Espero que no próximo evento de destruição do planeta achem uma outra forma de escreverem as cenas de ação sem terem que colocar este tipo de personagem no roteiro. Então, o filme deixará de ser previsível, será diferente, ganhará o meu respeito. Quem sabe o filme não será visto apenas pelas cenas de ação e, sim, por seu roteiro e concorrerá a mais prêmios além dos efeitos.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

CineCrítica - Michael Jackson's This Is It

O que interessa para os fãs é que Michael está ali o tempo todo, dançando muito e comandando tudo. Trata-se de um ensaio com uma puta trilha sonora, recheado com muitas cenas pré-filmadas. Kenny Ortega, diretor do espetáculo, parece estar ali só para cuidar da parte cinematográfica. O filme mostra Michael Jackson como fazendo piadinhas, corrigindo músicos ("faça com amor, A, M, O, R"), ensaiando dançarinos, sempre perfeccionista. “É pra isso que ensaiamos”, repete depois de um esporro. "Queremos dar a eles talento como nunca viram antes", explica o cantor à equipe.

Os hits do astro vêm desde a abertura com "Wanna Be Startin' Somethin" até o encerramento ao som da emblemática "Man On The Mirror". São duas horas de “Beat it”, “Thriller”, “Billie Jean”, “I’ll Be There”, “Black or White”, entre outros sucessos. “Quero como está nos discos”, o rei do pop insiste com os músicos. Numa super produção hollywoodiana, "Smooth Criminal" vem acompanhado de um filme que coloca o cantor dentro do clássico Gilda. Ele foge de bandidos e interage com personagens. Curiosamente, a nova versão de "Thriller", com direito a aranhas gigantes, fantasmas e múmias, descaracteriza um pouco o clássico dos videoclipes. Pelo menos, não mudaram a famosa coreografia apresentada no palco. Pô, eu quero é ver zumbi!

This Is It se restringe a um musical com breves momentos documentais por isso, acho que faltou alguma coisa, o filme acabou rápido demais, sei lá. E se você ficou com gosto de quero mais, fique até o final dos créditos para duas cenas extras emocionantes.

Músicas que são tocadas na íntegra no filme: "Wanna Be Startin' Somethin'", "Jam", "They Don't Care About Us", "Human Nature", "Smooth Criminal" , "The Way You Make Me Feel", "I Want You Back" , "I'll Be There", "I Just Can't Stop Loving You", "Thriller", "Beat It", "The Earth Song", "Billie Jean" e "Man In The Mirror".

terça-feira, 29 de setembro de 2009

CineCrítica - G.I. Joe - A Origem de Cobra

Bem, curto e grosso, pensei que seria um filme Framboesa de Ouro. Essa baixa expectativa que eu tinha gerou uma grande surpresa, pois gostei do que eu vi na tela. Porque o provável seria um produto de qualidade duvidosa, já que a matéria – prima era uma linha de bonecos da Mattel, o desenho animado dos anos 80 e muitas versões revisadas e recontadas de quadrinhos publicados pela Marvel.

Geralmente, quando uma série sofre tantos reeboots está fadada a ser um fracasso quando transportada para à película, contudo o G.I. Joe do cinema me surpreendeu com um roteiro bem razoável, algumas boas cenas de ação (muitas mentiras desnecessárias também vide a batalha subaquática, o que é um ponto negativo do longa), um elenco entrosado e algumas piadas bem encaixadas na trama. Eu diria que entre os blockbusters receberia uma nota entre 7 e 8, sendo assim, já valendo a pena a ida ao cinema.

O G.I. Joe é um grupo de soldados de elite de diferentes nacionalidades que usa tecnologia para deter o corrupto vendedor de armas chamado Destro e o surgimento da organização terrorista Cobra, que quer acabar com o mundo. O roteiro é bem mastigado, seguindo a cartilha de Hollywood (tá bom, nem sempre isso acontece, mas deveria), não tem como sair com dúvida de quem é quem e porque estava agindo daquele jeito. Para isso, o diretor usa e abusa de flashbacks, com o motivo de não dar tempo ao público relaxar e assim, a cada uma daquelas piscadas mais lentas, traz memórias antigas, com mais cenas de ação, como não deveria deixar de ser nesse tipo de filme.