sexta-feira, 6 de agosto de 2010

CineCrítica - Homem de Ferro 2

A maior qualidade de Homem de Ferro é explorar Tony Stark como o mais falho dos super-heróis do cinema. Obviamente, o perfeito equilíbrio entre ação e humor também não prejudica em nada. Na trama, depois de revelar ao mundo que é o Homem de Ferro, Tony Stark enfrenta novos problemas: a mesma tecnologia que o mantém vivo começa a envenená-lo e um antigo inimigo da família Stark sai das sombras...

Favreau opta por aumentar a quantidade de personagens. É hora de sermos apresentados a Natasha Romanov, Ivan Vanko e Justin Hammer com função de atribular as já complexas relações entre o trio protagonista (Stark, Pepper e Rhodes). É tudo tão meticuloso que sobra até espaço para cenas legais com Happy Hogan e Nick Fury.

É ótima a maneira que Jon Favreau e o roteirista Justin Theroux concatenam as ligações entre os personagens e seus passados. Os dois novos vilões, Vanko e Hammer, são forjados na melhor tradição da Marvel Comics. Motivos justos e métodos bem questionáveis os distanciam da preferência do público. Aliás, não fosse o talento cômico e o carisma de Downey Jr., o próprio Tony Stark causaria repulsa. Como torcer por um sujeito narcisista e arrogante?

Homem de Ferro 2 entrega tudo o que se espera de um filme baseado nos quadrinhos também na ação. As seqüências explosivas são significativas, amarradas à trama e resumem de maneira visual os dilemas dramatizados. Favreu interessa-se também pelos efeitos especiais super bacanas e câmeras por todos os lados registrando a ação e explosões. O que chama a atenção são as armaduras reluzentes, mas o que sustenta o filme são os diálogos.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Crítica Musical - Guns 'n' Roses: Chinese Democracy Tour

Quase um mês depois da frustração do cancelamento do show na Apoteose, o dia nublado trouxe junto grande apreensão aos fãs. O temporal foi o responsável pelas três semanas de espera, mas desta vez, a chuva não estragou o evento. Com muitos clássicos, um grupo de músicos competentes garantiu que os fãs deixassem o local com largos sorrisos no rosto. A noite começou com uma performance da banda Majestike.

A espera pelo próximo show não foi longa, e logo o eterno Skid Row Sebastian Bach estava agitando a galera com seu microfone giratório. O público mostrou mais empolgação com "18 and Life", "I Remember You" e “Youth Gone Wild” do Skid Row; do que com canções solo, como por exemplo, a legal "Back In The Saddle", cover do Aerosmith.

Com o fim da apresentação de Bach, começa a longa espera. Logo depois da primeira hora, com o som já repetindo diversas músicas, o público começou a vaiar e insultar. E eu morrendo de medo que ele ficasse puto e fosse embora de vez. A verdade é que esperar pontualidade de Axl Rose é ingenuidade, por mais que se tratasse de uma madrugada de um dia útil.

Para azar dos que se foram, por volta da uma da manhã, a faixa título de Chinese Democracy mostra que o show começou. Ela foi seguida pela clássica e esmagadora trinca: a unânime "Welcome To The Jungle", a punk "It's So Easy" e a pesada "Mr. Brownstone". O trio de Appetite for Destruction ganhou o público. Em seguida, veio "Sorry", um legítimo pedido de desculpa por nos ter feito esperar tanto. O clima voltou a esquentar com "Better" e "Live and Let Die" (cover sensacional de Paul Mcartney), seguida por "This I Love". Nesse ponto do show, durante a irresistível "Rocket Queen", já era possível atestar a boa qualidade da banda de Axl.

"Street of Dreams" deu prosseguimento à noite, e em seguida vieram a demolidora "You Could Be Mine", e a açucarada "Sweet Child O'Mine", sempre cantada em uníssono por qualquer platéia. Logo depois veio uma seqüência de baladas sensacionais: "November Rain" e "Knockin' On Heaven's Door" (cover emocionante de Bob Dylan). Depois de duas baladas, a escolha foi acertada: a eletrizante "Night Train". Depois, "Madagascar" foi a última de Chinese Democracy a ser executada.Quase acabando, só nos restava curtir a incrível balada "Patience" (para atestar que valeu a pena ter paciência com o longo atraso inicial) e a magistral "Paradise City", uma vez que é impossível saber quando - e se - o Guns voltará.

Set List:
Chinese Democracy
Welcome To The Jungle
It's So Easy
Mr. Brownstone
Sorry
Better
Live And Let Die
This I Love
Rocket Queen
Street Of Dreams
You Could Be Mine
Sweet Child O' Mine
November Rain
Knockin' On Heaven's Door
Night Train
Madagascar
Patience
Paradise City

sexta-feira, 26 de março de 2010

Crítica Musical - Heaven and Hell: The Devil You Know Tour

Mesmo antes de começar o show, gritavam em uníssono: "Sabbath, Sabbath, Sabbath...". Quando a introdução "E5150" foi irrompida pelo pesado som de Tony Iommi, ninguém duvidou que estava diante do Sabbath. O riff de "The Mob Rules" foi a senha para que todos fossem à loucura e começassem a cantar junto com o elfo Ronnie James Dio. Quando Dio entoou "Children of the Sea", demonstrou o talento de uma das grandes vozes do rock. Em seguida veio a boa "I", do disco "Dehumanizer". "Bible Black", canção do novo álbum, "The Devil You Know é o primeiro single do disco e foi muito bem recebido pelo público.

"Time Machine" veio acompanhada de um solo de bateria curto de Vinny Appice. A apresentação de novos temas se seguiu com "Fear", sem dúvida uma das mais interessantes do novo trabalho. Seguiu-se a excelente "Falling Off the Edge of the World", música do "Mob Rules" . O interessante é que um dos pontos altos veio depois da nova "Follow The Tears". O público foi recompensado com um dos maiores clássicos do Black Sabbath, em especial da Dio Era, "Die Young" do "Heaven and Hell". Em seguida veio o momento em que todos esperavam: os gritos de "ô, ô ô ô... " introduziram a canção que dá nome à banda: "Heaven and Hell". O único problema foi a versão estendida da música, um tanto quanto cansativa. Mais curta, daria espaço para mais canções no setlist, mas também a música é o carro-chefe da banda.

A banda deixou o palco sob fortes aplausos, para voltar para o bis com uma ótima música : "Country Girl". Excelente, pena não tocar inteira. "Country Girl" fez parte de um medley que encerrou o show com mais um clássico: "Neon Knights", o petardo que abre o álbum "Heaven and Hell". Todos pularam a exaustão e foram embora com a sensação de ter presenciado um dos grandes espetáculos da nata do som pesado. Uma aula de Rock and Roll com muito peso e talento. Eles podem ser chamados do que quiser, mas o que importa é que eles sempre levarão adiante o legado do bom e velho Black Sabbath.

Set List:
E5150
The Mob Rules
Children Of The Sea
I
Bible Black
Time Machine
Fear
Falling Off The Edge Of The World
Follow The Tears
Die Young
Heaven And Hell
Country Girl
Neon Knights

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Crítica Musical - Living Colour no Circo Voador

O Living Colour demonstrou, em um show intenso, que a carreira da banda vai bem além dos hits, como “Cult of Personality” e “Glamour Boys”, que não ficaram de fora. O Circo Voador, na Lapa, ficou agitado e, em algumas situações, como na música “Open Letter To A Land Lord”, teve seu público emocionado, em meio a um repertório entre versões diversas e interessantes para alguns clássicos e canções que, apesar de não terem alcançado o título de hit, têm qualidade inegável.

Desde o início do show, o público foi bem receptivo, demonstrando um sincero interesse em ouvir a banda, que se caracteriza sempre por misturar diversos ritmos em suas músicas, como o Hard Rock, ritmos caribenhos (como o que marca a música já citada “Glamour Boys”), Pop, ritmos à “Black music”, entre outros.

A banda demonstrou, ao decorrer do show, toda a empolgação de tocar no Brasil e o envolvimento entre banda e público foi marcado por um show receptivo por ambas as partes.

De músicas mais pesadas, como em “Time’s Up”, “Go Away” e a famosa “Type”, a músicas mais tranqüilas e viajantes, como na já citada “Open Letter to A Land Lord”, o repertório abrangeu várias fases da banda. A maior parte das canções recebeu uma roupagem ainda mais pesada, porém altamente bem vinda, do que nas versões originais, graças principalmente à densidade das bases do guitarrista Vernon Reid.

Os solos de cada instrumentista foram, também, um show à parte e serviram para dar um gás para as músicas seguintes no show.

O Bis, tão bem executado como o restante do show, também empolgou em cheio aos fãs, quando foi tocada a balada “Love Rears It’s Ugly Head”, um cover para “Crosstown Traffic” (Jimi Hendrix) e, em seguida, também um cover para “Sunshine Of Your Love”, do Cream.

Um show nada óbvio e muito empolgante, eclético e muito bem executado pelos excelentes músicos que formam o Living Colour, entre eles o renomado guitarrista Vernon Reid e o vocalista inconfundível Corey Glover, que demonstrou ótima forma em todas as músicas, provando sua alta competência vocal depois de tantos anos de carreira.

Colaboração de Rafel Saraiva

sábado, 9 de janeiro de 2010

CineCrítica - Avatar

Pandora, o mundo alienígena que James Cameron (diretor, roteirista e produtor) imaginou, é demais. O ecossistema tem um nível de detalhes surpreendente, como se desenvolvidos por geneticistas. A civilização Na´Vi é um amálgama das grandes civilizações indígenas. Os conceitos de energia e religião do filmeme são bem interessantes principalmente, graças às conexões físicas entre as criaturas Na'Vi e Pandora.

A história é conhecida, quase notória, e os personagens simples. Resumindo: o filme trata da ganância do homem sobre Pandora. O roteiro é pré-digerido e sem surpresas. A cada diálogo clichê há milhares de detalhes gráficos importantes. Worthington, o protagonista, convence tanto quanto paraplégico alquebrado como guerreiro falastrão. Enquanto isso, o Coronel Quaritch (Stephen Lang) se estabelece como um grande vilão de blockbuster (essa categoria de personagem, realmente estava fazendo falta nos filmes recentes de ação e ficção).

O volume absurdo de elementos em tela nunca se sobrepõe aos personagens e seus dramas, nem mesmo no colossal clímax. Em certos quadros vertiginosos fica difícil distinguir até o que é real e o que é criado por computador. As cenas em que humanos e Na´Vi dividem as telas desafiam qualquer percepção.